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Os estudos de caso apresentados neste site devem ser entendidos como uma possível fonte de pesquisa para outros projetos educacionais comprometidos com a educação inclusiva. Não são, portanto, receitas prontas, passíveis de mera replicação com expectativas de um mesmo resultado.

O Caso da Escola Clarisse Fecury - Rio Branco, Acre, Brasil

30/09/2011 | Por: Rodrigo Hübner Mendes; Lino de Macedo | 35 comentários
DIVERSA
O Caso da Escola Clarisse Fecury - Rio Branco, Acre, Brasil Rev: 30/09/2011 Rodrigo Hübner Mendes; Lino de Macedo
O Caso da Escola Clarisse Fecury - Rio Branco, Acre, Brasil
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“Como professor crítico, sou um ‘aventureiro’ responsável, predisposto à mudança, à aceitação do diferente.” Paulo Freire

Introdução

A escola Clarisse Fecury conseguiu desenvolver um modelo de ensino que dialoga intimamente com a concepção de educação inclusiva adotada pelo Ministério da Educação do Brasil. O compromisso com o acolhimento das diferenças começa no projeto político pedagógico, desdobra-se nas ações de planejamento, na prática em sala de aula e no processo de avaliação dos estudantes. Sua diretora, Iran Saraiva, exerce uma liderança capaz de mobilizar a comunidade em torno da escola e estabelecer articulações com o poder público e organizações da sociedade civil. Por meio de parcerias, consegue oferecer serviços de atendimento educacional especializado e suporte clínico aos educandos. Após sete anos como gestora, Iran enfrenta agora o desafio de viabilizar transporte para alguns dos estudantes, evitar a rotatividade da equipe pedagógica causada pelo modelo de contrato temporário e conduzir o processo de sucessão para seu cargo, sem que haja retrocesso e desvios naquilo que conseguiu implantar como concepção inclusiva de escola.

Um retorno inesperado

“Dona Iran, a senhora aceita meu filho de volta?” Foi com esta pergunta que Maria da Silva Bezerra, mãe de Sávio, abordou a diretora em janeiro de 2011. A escola acabara de voltar das férias e estava em período de matrículas. Assim como outras mães, o objetivo de Maria era garantir uma vaga para seu filho. Iran ficou surpresa e, ao mesmo tempo, indignada ao tomar conhecimento dos fatos que justificavam a angústia de Maria. 

Sávio tinha sido estudante da escola Clarisse Fecury no ano anterior. Por ter nascido com paralisia cerebral, utilizava uma cadeira de rodas e precisava de auxílio para se locomover. Para tentar reduzir as dificuldades de transporte, Maria decidiu transferi-lo para uma unidade escolar situada nas redondezas de sua residência. Apesar de o modelo de educação inclusiva estar vigente na rede pública de ensino de Rio Branco desde 2004, Sávio não foi bem recebido nessa segunda escola. Conforme Maria relata, “...a gente estava na mesma luta, numa escola bem mais próxima só que a dificuldade era maior, devido assim, até mesmo, a falta de interesse da escola. E a gente lutou, batalhou só que não deu certo. Aí foi quando eu resolvi voltar para cá”.

Iran não teve dúvidas e rematriculou Sávio em uma turma do 1º ano do ensino fundamental. Com a intenção de propiciar um ambiente favorável ao seu acolhimento, buscou apoio do poder público local e conseguiu viabilizar a presença de um cuidador, capacitado pela área da saúde, para dar suporte às atividades diárias de Sávio. Além disso, o educando passou a receber atendimento educacional especializado (AEE) em horários complementares ao período em que frequenta a sala de aula regular. Segundo sua mãe “...aqui a diferença que eu vejo é em relação a todo mundo; recebe com carinho ele”.

Atualmente, Maria leva Sávio para a escola todos os dias por meio de uma bicicleta adaptada com uma cadeira soldada no guidão. Iran sente-se bastante incomodada com as dificuldades dessa natureza enfrentadas por várias famílias. Apesar de seu empenho junto ao poder público, o transporte de estudantes com limitações motoras continua sendo uma questão não resolvida. 

A trajetória de Iran

Iran começou sua carreira como educadora em 1976, em uma escola estadual de Rio Branco. Logo descobriu que sua paixão era entender o processo de ensino e aprendizagem das crianças. Alguns anos mais tarde, foi transferida para a Secretaria Estadual de Educação para coordenar 40 pessoas no setor de recursos humanos, o que representou sua primeira experiência profissional no papel de líder de um grupo. Em 1999, retornou para o ambiente escolar como coordenadora pedagógica de uma unidade de ensino fundamental. “Você tem que chegar aqui e se impor...”, foi o conselho que recebeu da então diretora para exercer seu papel de liderança. Iran discordava dessa visão e buscava atuar por meio do diálogo e da escuta.

Segundo ela, sua trajetória como líder foi sendo construída por meio de uma atitude de humildade. “Eu não sou a dona da verdade e estamos aqui para aprendermos juntos”, era a frase que usava para iniciar a relação com as pessoas sob sua responsabilidade. “Busquei criar um ambiente de respeito e confiança. Nunca fui de comandar, mas de acompanhar, apoiar e ouvir”. Iran considera sua mãe, Isaura de Deus Correia, a principal fonte de inspiração para seu trabalho. “Ela era uma dona de casa que sabia orientar muito bem seus filhos e me mostrava a importância da organização...”.

Em 2004, após ter sido aprovada no processo de qualificação para o cargo de diretora na rede pública de ensino, Iran assumiu a gestão da escola Clarisse Fecury que iniciava seu primeiro ano de existência.

A criação da escola Clarisse Fecury e a política pública local

Atender ao crescimento da demanda de alunos do bairro Santa Inês. Esse foi o motivo que levou o governo do Acre a construir a escola Clarisse Fecury na zona periférica da cidade de Rio Branco, capital do estado. Trata-se de uma escola pública, de ensino fundamental (1º ao 5º ano), que atende hoje a 611 estudantes, divididos em dois turnos de 4 horas (matutino e vespertino). Dentre eles, 27 apresentam algum tipo de deficiência, sendo:

  • 5 com deficiência intelectual
  • 7 com deficiência física
  • 13 com deficiência auditiva
  • 1 com deficiência visual
  • 1 com deficiência múltipla

 

O Acre segue um modelo específico de gestão da educação, denominado Sistema Único de Ensino. De acordo com esse modelo, o estado atua em regime de colaboração com os municípios. As secretarias municipais de educação ficam responsáveis pelos aspectos pedagógicos das escolas públicas do primeiro ciclo do ensino fundamental (1º ao 5º ano), enquanto a secretaria estadual cuida do segundo ciclo (6º ao 9º ano) e do ensino médio.

Desde 2004, o estado assumiu o compromisso de implantar o modelo inclusivo em sua rede pública de ensino. Para isso, a Secretaria Estadual de Educação oferece diferentes tipos de apoio às escolas por meio da Gerência de Educação Especial. Um exemplo é o acompanhamento dos educadores do atendimento educacional especializado, feito por professores orientadores, ligados a essa secretaria, que acompanham os casos de estudantes com deficiências e ajudam na formação continuada. Além disso, essa gerência tem a função de coordenar algumas instituições que oferecem suporte técnico às escolas.

Outro avanço interessante é a existência da figura do “cuidador” no quadro de funcionários do estado. Esse profissional tem o papel de oferecer assistência às questões de alimentação, higienização e locomoção dos alunos com deficiência e estimulá-los a ampliarem sua autonomia nos aspectos da vida diária. Tal recurso é resultado de um convênio assinado entre a Secretaria Estadual de Educação e a Secretaria Estadual de Saúde. Uma marca importante da gestão pública é o investimento contínuo na formação dos educadores, realizado tanto pela instância estadual quanto pela municipal.

Quanto aos aspectos de exigência do cumprimento da legislação, é importante destacar a atuação do ministério público como órgão responsável por garantir que toda criança com deficiência tenha acesso à escola regular.

Atualmente, a escola Clarisse Fecury conta com uma diretora, uma coordenadora de ensino, duas coordenadoras pedagógicas, 18 educadoras, 3 professores intérpretes, 2 professoras de atendimento educacional especializado e 2 cuidadoras. A escola dispõe de uma biblioteca, um laboratório de informática, uma ecoteca (ambiente utilizado para oficinas de ecologia) e uma sala de recursos multifuncionais, destinada ao atendimento de educandos com necessidades educacionais especiais. Esses estudantes frequentam a sala de aula regular no período da manhã ou da tarde e recebem o atendimento complementar na referida sala de AEE, no turno contrário. O trabalho é desenvolvido com base nas diversas formações continuadas oferecidas pelas secretarias de educação. O modelo reflete as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Educação do Brasil quanto ao atendimento de estudantes com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação.

A construção de uma rede de parceiros

Logo no primeiro semestre de existência da escola, Iran notou que havia crianças com deficiência entre os educandos matriculados. Ao longo de seus 28 anos como educadora, essa era a primeira vez que se relacionava diretamente com tal especificidade no ambiente escolar. Ao perceber que teria dificuldades de oferecer um atendimento de qualidade a esses alunos devido a sua falta de conhecimento, Iran deu inicio a duas iniciativas. Por um lado, começou a estudar a legislação nacional relativa à educação inclusiva e os conteúdos disponibilizados pelo Ministério da Educação. Ao mesmo tempo, decidiu buscar suporte de outros profissionais com maior experiência na área.

Iran lembrou-se de um programa chamado Saúde na Escola, com o qual havia tido contato na época em que trabalhava em outra instituição. Essa iniciativa é mantida pela Secretaria Estadual de Saúde e um de seus objetivos é facilitar a identificação de estudantes que demandam algum atendimento educacional especializado ou suporte clínico. Após diagnosticada uma determinada necessidade, o programa encaminha os alunos para órgãos de saúde responsáveis por oferecer assistência nas áreas de psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, oftalmologia, pediatria, odontologia e assistência social. O processo de agendamento das consultas é conduzido pelo próprio programa, fazendo com que as famílias recebam serviços mais rápidos e eficientes. Segundo Sandra da Silva, mãe de um ex-aluno, “... a gente já sai daqui da escola sabendo quando e onde nossos filhos serão atendidos”. 

Após iniciar a parceria com o Saúde na Escola, Iran foi orientada a procurar a Gerência de Educação Especial. Esse contato resultou em vários desdobramentos importantes para a escola Clarisse Fecury. Em primeiro lugar, a instituição passou a receber a visita de um professor itinerante especializado no atendimento do público da educação especial. Tal suporte começou em 2004 por meio de duas visitas semanais. No ano seguinte, após Iran solicitar a ampliação do serviço, o professor foi incorporado à equipe pedagógica, trabalhando em tempo integral com os demais educadores. 

Em 2006, a escola recebeu os primeiros estudantes com deficiência auditiva em seu corpo discente. Com objetivo de oferecer subsídios a essa nova realidade, a Gerência de Educação Especial aproximou Iran do Centro de Apoio ao Surdo (CAS), órgão federal com unidade situada em Rio Branco. A instituição forma intérpretes e professoras da língua brasileira de sinais (LIBRAS) que realizam oficinas para os alunos da escola e preparam materiais pedagógicos para facilitar o desenvolvimento de crianças com limitações auditivas. Além disso, realizam cursos de formação para a equipe pedagógica. É interessante citar que a presença dessas crianças acabou gerando benefícios educacionais a todos os estudantes da escola. As oficinas de LIBRAS são frequentadas por todos, ou seja, não são exclusivas para as crianças surdas. Com isso, os alunos ouvintes desfrutam da oportunidade de aprender uma nova língua e são criadas condições reais de socialização e desenvolvimento .

Nesse mesmo ano, Iran estabeleceu parcerias com outros centros especializados, também coordenados pela referida gerência, de modo a obter apoio de profissionais capacitados para atender estudantes com os variados tipos de deficiência. Como exemplo, a escola passou a contar com a colaboração do Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP–DV), Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAS) e Centro de Ensino Especial Dom Bosco (CEEDB), voltado ao atendimento de crianças com deficiência intelectual, física e múltipla. 

O Ministério da Educação oferece também apoio por meio da doação de equipamentos e materiais didáticos. Graças a esse suporte, em 2008 a escola conseguiu criar sua primeira sala de recursos multifuncionais. Tal ambiente dispõe de variadas ferramentas voltadas ao atendimento educacional de estudantes com algum tipo de deficiência. Na ocasião, a escola não dispunha de espaço livre que pudesse ser destinado para esse fim. Como solução, Iran decidiu abrir mão de sua própria sala para que o ambiente de educação especializada fosse viabilizado. Hoje, divide uma sala com as coordenadoras da escola. Apesar de ter perdido certa privacidade para a sua atividade de rotina, Iran diz que “Era mais importante poder oferecer um atendimento de qualidade para nossos alunos do que ter uma sala exclusiva para mim”.

A tabela anexada ao apêndice 1 apresenta o conjunto de parceiros que a escola Clarisse Fecury conseguiu agregar desde seu primeiro ano de existência e explicita a heterogeneidade de serviços por eles prestados.

Um dos grandes desafios enfrentados atualmente por Iran é a garantia de transporte para os estudantes com limitações motoras. Para tentar resolver essa questão, em 2010 dirigiu-se ao órgão municipal responsável por esse assunto e solicitou apoio. Até o momento, obteve como retorno apenas atendimentos pontuais para demandas específicas, como passeios e outras atividades externas. Iran continua muito desconfortável com essa dificuldade e pretende reunir as demais escolas públicas da cidade para discutirem conjuntamente possíveis soluções. “A gente tem que estar insistindo mesmo, ir atrás...”, afirma a diretora.

Integração entre planejamento, prática em sala de aula e avaliação

O processo de planejamento da escola Clarisse Fecury começa com a elaboração do projeto político pedagógico (PPP). A primeira versão desse documento foi construída em 2004. De acordo com a coordenadora de ensino, Dora Nunes, “O PPP define a identidade e as diretrizes gerais da escola”. Tendo em vista que Iran assumiu o compromisso de garantir o direito de acesso à educação dos estudantes com deficiência desde seu primeiro semestre de atuação, o PPP já nasceu contemplando os valores da educação inclusiva. Seguem abaixo trechos do documento que explicitam esse compromisso:

“Nossa missão é contribuir para a construção de uma educação inclusiva, garantindo a todos o acesso, permanência prazerosa e o ensino e a aprendizagem de qualidade, fortalecendo a integração entre escola e comunidade.”  

“Articular as temáticas educação e inclusão torna-se uma tarefa imprescindível, face aos desafios com os quais convivemos na educação brasileira, diante da necessidade a escola busca o caminho mais eficaz para se tornar uma escola inclusiva, pois vê o aluno com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, com os mesmos direitos que os demais.”

“Nossa escola entende que a inclusão escolar constitui uma proposta politicamente correta que representa valores simbólicos importantes, condizentes com a igualdade de direitos e de oportunidades educacionais para todos, em um ambiente educacional favorável. Porém, entendemos que o plano teórico-ideológico da escola inclusiva requer a superação dos obstáculos impostos pelas limitações do sistema regular de ensino. Seu ideário defronta-se com dificuldades operacionais e pragmáticas reais e presentes, como recursos humanos, pedagógicos e físicos.”

A segunda etapa do processo de planejamento ocorre ao final de cada ano, a partir de uma avaliação das atividades desenvolvidas no período. Com base nessas informações, é elaborado o plano de desenvolvimento da escola (PDE), documento que define todas as ações que a instituição deseja desenvolver no ano seguinte. Paralelamente, sua equipe define os conteúdos que pretende ensinar para cada série, as competências que almeja desenvolver com os educandos e a metodologia de trabalho, gerando o plano curricular 2. É interessante notar que uma das competências estabelecidas por esse currículo é descrita como: 

“Compreender e reconhecer que há diferenças físicas, emocionais, intelectuais, psicológicas, religiosas entre os seres humanos e respeitá-las.”.

Após ser concluído, o PDE é então encaminhado para a Secretaria de Estado de Educação para análise. Mediante sua aprovação, a escola tem então autonomia para desenvolver suas ações. 

O planejamento detalhado das atividades específicas para cada turma é feito por meio de reuniões semanais, das quais participam as coordenadoras pedagógicas, as educadoras da sala de aula regular e as do atendimento educacional especializado. De acordo com Dulcilene do Nascimento, professora do AEE “...a gente dá sugestões para os professores regulares, ajuda a confeccionar materiais, verifica as dificuldades  apontando os recursos pedagógicos adequados”. Durante essas reuniões, a equipe pedagógica elabora as sequências didáticas, as rotinas e os planos de aula para cada turma. A escola trabalha também com projetos definidos a partir de alguns temas pertinentes para o ano letivo. 

As sequências de atividades são planejadas com base nas necessidades educacionais de cada aluno. Quando necessário, os professores fazem a flexibilização dos conteúdos. Nesse sentido, certas atividades são adaptadas, de forma que todo estudante possa ter acesso ao mesmo conteúdo por meio de diferentes estratégias pedagógicas. Essas adaptações são feitas não só para alunos com deficiência, mas também para aqueles com dificuldades de aprendizagem e baixo desempenho. Segundo Iran “Essa é a verdadeira inclusão”. Segue abaixo, considerações estabelecidas pelo PPP sobre adaptações:

“Portanto essas adaptações resguardam o caráter de flexibilidade e dinamicidade que o currículo escolar deve ter, ou seja, a convergência com as condições do aluno e a correspondência com as finalidades da educação na dialética de ensino e aprendizagem. Desde modo, não defendemos a concepção de que a escola dispõe sempre de uma estrutura apropriada ou realiza um fazer pedagógico adequado a que o educando deve se adaptar. Implica, sim, a convicção de que o aluno e a escola devem se aprimorar para alcançar a eficiência da educação a partir da interatividade entre esses dois envolvidos.”

A tabela abaixo apresenta as diferentes etapas que compõem o processo de planejamento da escola:

 Etapa

 Freqüência de atualização

 Projeto político pedagógico (PPP) 

bienal

 Plano de desenvolvimento da escola (PDE)

 anual

Plano curricular 

anual

 Projetos

anual

 Sequências didáticas, rotinas e planos de aula 

semanal

 

As educadoras também investem em agrupamentos produtivos, formados por dois ou mais estudantes com níveis de conhecimento aproximados, porém diferentes. Segundo a coordenadora pedagógica Geanny Marques “... dessa forma eles se ajudam sem que um faça a atividade do outro”. Outro hábito da equipe é realizar rodas de conversa com todos os alunos. Nesse momento, a professora esclarece para os estudantes o tema que será abordado com o objetivo de sondar o que já sabem sobre o mesmo. 

A escola entende que a avaliação deve ser um processo contínuo ao longo do ano. Ao invés de aplicar provas pontuais, a equipe pedagógica utiliza um instrumento de avaliação, baseado nas competências adquiridas pelos educandos, e estabelece notas para as diferentes atividades realizadas rotineiramente. A partir do conjunto dessas atividades, são definidas as notas bimestrais exigidas pelo sistema de ensino. 

Para os casos de estudantes com deficiência, a avaliação é feita com base nos resultados observados nas atividades da sala de aula regular e no atendimento educacional especializado. Atualmente, há duas professoras responsáveis por realizar o AEE: uma delas atende aos alunos com deficiência auditiva e a outra trabalha com os demais tipos de deficiência. Além de reuniões semanais com a coordenadora pedagógica, essas professoras elaboram um estudo de caso e um plano de aula para cada aluno. A documentação é armazenada juntamente com os registros e trabalhos desenvolvidos pelos educandos (desenho, colagens, etc.) em uma única pasta, chamada de portfólio. 

Os estudantes com dificuldades de aprendizagem que não foram diagnosticados como casos de deficiência, recebem um reforço escolar denominado “apoio pedagógico”. Esse atendimento ocorre duas ou três vezes por semana, na biblioteca ou na sala dos professores, durante o contraturno da aula regular.

A repetência dos alunos, sejam quais forem suas especificidades, ocorre caso a equipe pedagógica avalie que um determinado estudante possa ser beneficiado com a permanência em um dado ano. Iran explica que a decisão é tomada visando o melhor para cada aluno. 

O processo de avaliação abrange também os educadores da escola por meio de um modelo denominado “Valorização do Professor” (VDP). Após o preenchimento dos formulários de avaliação, a direção encaminha-os para a Secretaria Estadual de Educação. Como resultado, os educadores podem obter gratificações, de acordo com seu desempenho.  

Investimento em formação continuada

De acordo com Iran, a criação de uma escola inclusiva só é viável mediante um investimento contínuo e abrangente na formação dos educadores 3. Essa percepção fica evidente no próprio PPP, cujas diretrizes sobre o tema estão representadas nos trechos abaixo:

“Na escola o que se afigura de maneira mais expressiva ao se pensar na inclusão é a situação dos recursos humanos, especificamente dos professores das classes regulares, que precisam ser efetivamente capacitados para transformar sua prática educativa. A formação e a capacitação docente impõem-se como meta principal a ser alcançada na concretização do sistema educacional que inclua a todos, verdadeiramente.” 

“Propor que a escola trate questões sociais na perspectiva da cidadania coloca imediatamente a questão da formação dos educadores e de sua condição de cidadãos. Para desenvolver sua prática os professores precisam também se desenvolver como profissionais e como sujeitos críticos na realidade em que estão, isto é, precisam poder situar-se como educadores e como cidadãos e, como tais, participantes do processo de construção da cidadania de reconhecimento de seus direitos e deveres, de valorização profissional.”

“O desafio é o de não esperar por professores que só depois de “prontos” ou “formados” poderão trabalhar com os alunos. Para o professor a escola não é apenas lugar de reprodução de relações de trabalho alienadas e alienantes. É, também, lugar de possibilidade de construção de relações de autonomia, de criação e recriação de seu próprio trabalho, de reconhecimento de si, que possibilita redefinir sua relação com a instituição, como Estado, com os alunos, suas famílias e comunidades.”

As atividades de formação continuada mediadas pela instituição contemplam os variados públicos que integram a comunidade escolar. “Todos são educadores, do porteiro à merendeira...”, diz Iran. Além dos cursos oferecidos aos professores, coordenadores e gestores pelo poder público local, a escola organiza um grupo de estudos que se encontra mensalmente. Realiza também oficinas de LIBRAS para pais e membros da comunidade. Os professores do AEE recebem formações específicas sobre educação inclusiva e repassam os conteúdos adquiridos para o restante da equipe. 

A maioria dos educadores da Clarisse Fecury trabalha atualmente sob um regime provisório de contratação, o que representa outro importante desafio para Iran. “Você orienta e forma o profissional e, muitas vezes, tem que fazer tudo de novo no ano seguinte.”, explica. Ocorre que esse tipo de contrato temporário resulta em uma intensa rotatividade na equipe pedagógica. Apesar das várias reclamações feita por gestores à Secretaria Estadual de Educação, essa é ainda uma questão preocupante. 

Um momento de transição

Passaram-se nove meses. Sávio está com oito anos e demonstra importantes avanços. De acordo com a equipe pedagógica, seu desenvolvimento é notório. O contato e a interação com o ambiente escolar propiciaram oportunidades para que ele começasse a se comunicar e demonstrar compreensão das atividades realizadas. Em breve começará a 2º ano do ensino fundamental. 

Iran percebe o início de uma nova etapa em sua trajetória. Após sete anos no cargo de diretora da escola Clarisse Fecury, vive um momento permeado por realizações e desafios. Ao longo desse período, conseguiu criar uma cultura que zela pela garantia do direito à educação de toda criança, valoriza o afeto e entende o acolhimento das diferenças como um princípio inquestionável. Tais valores estão implícitos na atitude de cada profissional, na diversidade dos educandos e, até mesmo, nos artefatos da instituição. “Nós temos que pensar numa gestão democrática, pautada no trabalho coletivo, na força de seus colaboradores, dando ênfase na educação inclusiva, pensando nos direitos humanos. Pensando que essas pessoas são capazes sim. Nós ensinamos e aprendemos todos juntos. Um dos valores que fundamentou o nosso trabalho é a afetividade. É nosso processo da afetividade que a gente vai estabelecendo as relações entre as pessoas. A gestão da escola tem que ser forte e tomar a frente de todo o fazer pedagógico e administrativo...”, explica.

Em virtude de questões legais, Iran não pode concorrer a um terceiro mandato consecutivo. Precisa, portanto, encontrar formas de conduzir o processo de sucessão para seu cargo, sem que haja retrocesso e desvios naquilo que conseguiu implantar como concepção inclusiva de escola.

Ao ser perguntada sobre seus sonhos para o futuro, Iran sorri e descreve a imagem da escola sendo beneficiada com uma quadra de esporte coberta e novos equipamentos de tecnologia assistiva para aprimorar o atendimento dos estudantes com necessidades educacionais especiais.  Ao mesmo tempo, expressa sua preocupação com a melhoria no transporte dos educandos, a alta rotatividade dos educadores e a falta de compromisso de outras escolas da cidade com o ideal de uma escola inclusiva. 

Apêndice 1: Tabela com dados sobre a educação em Rio Branco

Estatísticas básicas do município de Rio Branco

Itens

 

 

IDH (Índice de desenvolvimento humano)

0,754

 

IDEB Médio (Índice de desenv. da educ. básica)

4.2

 

Escolas municipais

52

 

Escolas educação infantil

35

 

Escolas ensino fundamental

17

 

Escolas estaduais

57

 

Escolas ensino fundamental

37

 

Escolas ensino médio

20

 

Número de alunos

89.621

 

Número de alunos da educação especial

3.400

 

Dados da rede de educadores:

4.850

 

Número de salas de recursos

24

Fonte: Secretaria Estadual e Municipal de Educação 

Apêndice 2: Tabela com dados sobre a Escola Clarisse Fecury

Estatísticas básicas da escola Clarisse Fecury

Itens

 

 

Idade da escola

7 anos

 

Níveis de ensino

fundamental 1

 

IDEB (Índice de desenv. da educ. básica)

4,6

 

Número de alunos

611

 

Número de turmas

18

 

Média de alunos por turma (1o e 2o anos)

30

 

Média de alunos por turma (3o a 5o anos)

35

 

Número de alunos da educação especial

27

 

Deficiência Física

7

 

Deficiência Intelectual

5

 

Deficiência Visual

1

 

Deficiência Auditiva

13

 

Deficiência Múltipla

1

 

Gestora

1

 

Coordenadores de ensino

1

 

Coordenador pedagógico

2

 

Professores

18

 

Professores intérpretes

3

 

Professores AEE

2

 

Cuidadores

2

 

Sala de recursos

1

Fonte: Secretaria da Escola Clarisse Fecury

Apêndice 3: Artigo “Benefícios da aprendizagem da Língua de Sinais para todos” - Lino de Macedo

No paradigma da Educação Inclusiva acredita-se que todos são capazes de aprender. Não só porque esta é uma necessidade de todos, mas porque também produz benefícios que otimizam nossas possibilidades de ser, não importa quem ou como somos. 
 
Pensemos, por exemplo, nos benefícios da aprendizagem da Língua de Sinais para um ouvinte. Quando uma criança não surda aprende esta língua descobre ou multiplica seus poderes de comunicação gestual e simbólica. Aprende como é possível se comunicar com seus colegas surdos, constrói procedimentos alternativos aos processos de comunicação e interação humana. Descobre que língua é linguagem, forma de transmitir e processar informações. Ao compreender o valor comunicativo dos gestos e suas correspondências com aquilo que comunicam pode sentir-se surpreendida. 
 
Um gesto, ao mesmo tempo, recupera a significação de que língua, por ser parte da linguagem, é movimento com as mãos ou corpo, cuja dança coreografa a mensagem das coisas que representa metaforicamente. E o que é uma metáfora senão o modo que encontramos para falar de coisas desconhecidas, através de algo conhecido? Daí que alunos ouvintes podem se encantar e se sentir atraídos em pesquisar, criar, investigar outros meios de dizer ou trocar coisas com seus colegas surdos, ou mesmo não surdos, pelo prazer e desafio que descobriram em imitar ou representar, por gestos, algo que sinaliza outro algo. 
 
Graças a isto, quem sabe, podem se tornar mais inteligentes e participativos, encontrando na limitação do outro, sua própria limitação e, o que mais significativo, a possibilidade de se construir modos de sua superação. Aprimoram, assim, sua socialização, aprendem a pensar e a agir na perspectiva de seus colegas surdos, descentram-se de seus pontos de vista, descobrem novas possibilidades. Tornam-se melhores. E aquilo que poderia parecer uma dificuldade, entrave ou perda de tempo, afinal é mais complicada a relação entre surdos e não surdos, apresenta-se como abertura, descoberta de que é possível criar sintonias e formas criativas de interagir com as pessoas, apesar de suas diferenças quanto aos recursos de comunicação. 
 
É importante descobrirmos nossa surdez frente ao que os outros, tantas vez em vão, tentam nos dizer por gestos ou palavras.  

Apêndice 4: Tabela sobre parceiros da Escola Clarisse Fecury

 

 

Parceiro

Especificidade

Serviços oferecidos

Programa Saúde na Escola

Todos os tipos de deficiência

·          Intermediação entre a escola e os serviços de saúde

·          Formação de educadores

·          Palestras

Centro de Atendimento aos Surdos (CAS)

Deficiência auditiva

·          Oficinas de LIBRAS

·          Formação de professores intérpretes e encaminhamento desses profissionais às escolas

·          Desenvolvimento e produção de material didático

·          Formação de educadores e da comunidade

Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP – DV)

Deficiência visual

·          Formação de professores em Soroban, Braile, orientação à mobilidade e a práticas educativas para uma vida independente

·          Desenvolvimento e produção de material didático

Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAS)

Altas habilidades na superdotação

·          Formação de educadores

·          Suporte no atendimento aos estudantes com altas habilidades

Centro de Ensino Especial Dom Bosco (CEEDB)

Deficiência física, intelectual ou múltipla

·          Formação de educadores

·          Atendimento clínico

Secretaria Municipal e Estadual de Educação (SEME e SEE)

 

Todos os tipos de deficiência

·          Doação de equipamentos e materiais didáticos

·          Formação de educadores

·          Acompanhamento e suporte as professoras do AEE e das salas regulares

Ministério da Educação

 

Todos os tipos de deficiência

·          Doação de equipamentos e materiais didáticos

·          Apoios diversos por meio do programa Escola Acessível

Fonte: Secretaria da Escola Clarisse Fecury

 

Apêndice 5: Tabela sobre formação continuada na Escola Clarisse Fecury

 

Tipo de formação

 

Público - alvo

Carga horária

Proponente

Capacitação continuada em LIBRAS

 

Gestores, coordenadores, professores, pais e comunidade

120 horas

CAS

Curso educar na diversidade

 

Gestores, coordenadores, professores e pais

40 horas

SEE

Capacitação em LIBRAS – fase I, II, III

Gestores, coordenadores, professores e funcionários

120 horas

CAS

Capacitação educação inclusiva: direito à diversidade

Gestores, coordenadores e professores

40 horas

SEE

Capacidade escola viva – saberes e práticas de inclusão

Gestores coordenadores e professores

80 horas

SEE

Curso de adaptação curricular para a educação especial

Gestores coordenadores e professores

80 horas

SEME

Curso sobre educação especial na perspectiva da educação inclusiva

Gestores, coordenadores e professores

40 horas

SEME

Atendimento Educacional  Especializado

Gestores, coordenadores, professores e funcionários

20 horas

Escola Clarisse Fecury (professoras do AEE)

Oficinas de Altas Habilidades/Superdotação

Gestores, coordenadores, professores e funcionários

16 horas

NAAHs

Fonte: Secretaria da Escola Clarisse Fecury

Sobre os autores

Rodrigo Hübner Mendes, diretor do Instituto Rodrigo Mendes, mestre no tema “Gestão da Diversidade” pela Fundação Getulio Vargas-SP, onde atua como professor.

Lino de Macedo, supervisor de pesquisa do projeto Diversa, professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo e membro da Academia Paulista de Psicologia.

Notas

Esse caso foi desenvolvido a partir de depoimentos dos envolvidos. Os casos do Projeto Diversa têm como finalidade ser utilizados por mediadores, em cursos de formação continuada, como base para discussões. Não servem, portanto, como endosso, fonte de dados primários ou de práticas pedagógicas efetivas ou inefetivas.

©Instituto Rodrigo Mendes. Licença Creative Commons BY-NC-ND 2.5. A cópia, distribuição e transmissão dessa obra são livres, sob as seguintes condições: Você deve creditar a obra como de autoria de Augusto Galery e licenciada pelo Instituto Rodrigo Mendes; é vedado o uso para fins comerciais; é vedada a alteração, transformação ou criação em cima dessa obra, a não ser com autorização expressa do licenciante.

1 O apêndice 4, oferece uma explicação mais aprofundada sobre os benefícios da aprendizagem da língua de sinais.

2 Plano Curricular elaborado com base nos Parâmetros Curriculares Nacionais e as orientações curriculares para o ensino fundamental, oferecida pela Secretaria Municipal de Educação (SEME).

3 O apêndice 4 oferece uma visão geral da amplitude de formações que compõem a programação da escola.

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  • Jaqueline Falcão Coelho - Apiaí SP
    19:35 - 20/10/2011

    O notório compromisso da diretora com a questão da inclusão serve de modelo para todas as Secretarias de Educação. Percebe-se a preocupação em fazer cumprir a proposta da Educação Inclusiva e o papel de cada um nesse processo fica muito claro neste caso.

  • Maria do Socorro
    19:01 - 24/10/2011

    Este é um exemplo de que existe sim pessoas comprometidas com a vida ! Parabéns a toda a equipe!

  • Patrícia Rodrigues
    21:22 - 24/10/2011

    A escola trabalhou as preocupações com a educação inclusiva para poder dar certo, procurando adaptar-se as necessidades dos alunos, concordo com a minha amiga Jaqueline Falcão, tem que ser modelo das Secretarias de Educação, realizar aquilo que ama fazer ensinar com qualidade a todos, usar as estratégias, esse é nosso trabalho, procurar o melhor.

  • Rita de Cássia Andrade Munhão Silva
    22:30 - 26/10/2011

    O envolvimento dessa diretora para colocar em prática as propostas da Educação Inclusiva é admirável, se vê que é uma pessoa realmente preocupada para que a educação atinja à todos e para que isso aconteça é imprescindível que as parcerias sejam alcançadas e cada um cumpra o seu papel.

  • Terezinha de Jesus Oliveira Ramalho
    22:57 - 27/10/2011

    A dedicação e o envolvimento da diretora é contagiante, acredito que foi a porta para o sucesso desta escola pois é visivel o envolvimento da equipe no trabalho realizado.

  • Nilva de Oliveira Cesar Borges
    10:27 - 28/10/2011

    Nos deparamos com uma escola modelo, idealizadora,democrática, que zela pela garantia do direito à educação de toda criança. Parabéns a toda equipe que com muita dedicação e afeto busca o sucesso.

  • ALESSANDRA RODRIGUES OVIEDO - APIAÍ - SP
    10:32 - 30/10/2011

    Esta escola demonstra o quanto é possível a realização da inclusão com qualidade. A brilhante diretora Iran conseguiu articular os atores principais para discutirem as questões sobre inclusão e principalmente realizar um trabalho em rede em que cada um colabora dentro de sua formação e isso forma um todo. Este é o exemplo de educação para todos!!

  • Célia Oliveira Cristo
    11:49 - 30/10/2011

    Esta é a escola modelo de inclusão. A escola que todas as outras deveriam ser. E com certeza esta diretora faz toda a diferença com seu empenho e dedicação. Ela busca soluções para que a equipe desta escola seja capacitada e preparada para receber a inclusão, procura parcerias que possam auxiliar não somente os alunos mas também a família e seus funcionários, além de incluir toda a comunidade no trabalho da escola. Como todas as instituições tem seus problemas, mas esta diretora acredita que possa vencer as barreiras da dificuldade, pois não cruza os braços e vai em busca da resolução dos seus problemas.

  • Adriana Santana Zrenner
    19:18 - 30/10/2011

    Ficou claro que os alunos "incluidos" sofrem preconceitos e são rotulados pela sua deficiência. Temos que oferecer possibilidades, acreditando na igualdade de direitos e de oportunidades educacionais para todos.

  • Eliane Ap Roberto de Deus
    22:54 - 30/10/2011

    É louvável o comprometimento com que a diretora Iran ao assumir a direção da escola, mesmo com tantas barreiras, conseguiu transformá-la em uma escola modelo e luta pelo seu maior objetivo, garantir o direito de acesso à educação dos estudantes com deficiência. Parabéns a toda equipe e parceiros.

  • suzi mara aparecida de siqueira
    10:32 - 31/10/2011

    Gostei muito do trabalho realizado por IRAN, procurando deixar sua escola, equipe escolar, os orgãos institucionais, comunidade como parceiros para poder oferecer uma educação de qualidade a todos. Isto sim é inclusão.

  • Eliane da Silva Gasparini
    18:33 - 31/10/2011

    Quando realmente buscamos soluções e não ficamos lamentando pelas dificuldades, atingimos nossos objetivos... A escola dirigida pela Iran mostra que temos que oferecer oportunidades e acreditar na inclusão para que realmente ela aconteça.

  • Elda Martins Assunção
    01:46 - 01/11/2011

    Este caso nos relata a realidade de muitas famílias, pois diariamente há pais tentando de alguma forma dar a seus filhos o direito de estarem inseridos em uma escola, além de estarem convivendo num contexto diferente do familiar. O que mais chama a atenção neste caso é sobre como todos vêem a inclusão, se fala muito de educação inclusiva, mas ainda há muito preconceito ao aceitar essa inclusão. As escolas fazem de conta que aceitam e que está aberta a inclusão, mas ainda não se conscientizaram que vai muito além de receber esse aluno, do que adianta só recebê-lo se não sabem, ou melhor, não querem mudar sua práxis para ter ferramentas que combatem essa discriminação. A escola em questão é um exemplo de como um olhar diferenciado para essa questão faz a diferença, apesar de ainda ter muitos desafios e muitas dificuldades, esta pronta para realizar mudanças visando a melhoria na qualidade de ensino.

  • Elisandra Rodrigues
    13:24 - 01/11/2011

    O exemplo dessa escola é surpreendente, é um excelente exemplo de responsabilidade com os alunos. Essa mãe esta também de parabéns por ser uma lutadora, dedicar-se a seu filho e lutar para mudar a realidade da escola. Fazer uma escola toda mudar e adaptar-se a uma nova realidade foi um objetivo mais que obtido foi sucesso absoluto. É uma escola modelo.

  • Rosângela Aliaga - Apiaí/SP
    13:45 - 01/11/2011

    A diretora da escola demonstrou uma posição que foi, a meu ver, fundamental para realizar uma educação inclusiva com qualidade. Ela não se preocupou apenas em incluir, mas se articulou na busca de mecanismos que pudessem, de fato, oferecer àquela criança eficiência no seu atendimento. Ao buscar parcerias com o poder público e oferecer atendimento educacional especializado, deu os primeiros passos em envolver outros atores no processo de inclusão. Penso que, dessa forma, é possível incluir com qualidade, desde que isso seja feito de forma pensada, planejada e articulada com diferentes parceiros.

  • Claudiane Rodrigues de Almeida - ITAOCA
    17:25 - 01/11/2011

    Durante a leitura deste caso, nota-se a importância em tomar iniciativa em buscar conhecimentos sobre como resolver as novas situações e buscar novas parcerias com o objetivo de oferecer subsídios para cada nova realidade. Faz-nos também entender que é necessário dar o primeiro passo sabendo que a caminhada é longa, mas a cada situação resolvida vem a gratificação de sabermos que um ser humano está usufruindo dos seus direitos de SER humano.

  • Maria Goretti de Andrade Munhão Ribas Antunes
    17:27 - 01/11/2011

    O que me chamou atenção no caso da escola Clarisse Fecury, foi o dinamismo dessa diretora que não mediu e nem mede esforços para tornar cada vez mais possível um atendimento de qualidade a todas às crianças, independentemente de suas condições físicas ou intelectuais. Demonstra ser uma pessoa que prioriza o trabalho em grupo, o envolvimento de todos, que vai em busca de informação e embasamento, de parcerias. Vê-se o resultado disso na estrutura que a escola apresenta, no entanto, essa diretora não se acomoda, pois há o que melhorar, ou até mesmo adquirir. Essa escola é um exemplo para nós e sinaliza que o sucesso ou o insucesso da inclusão, muitas vezes, depende o engajamento de quem trabalha na instituição.

  • SILVANA SARTI
    22:40 - 01/11/2011

    A ESCOLA ONDE ESSA DIRETORA CLARISSE FECURY DESENVOLVE UM MODELO DE ENSINO QUE DIALOGA INTIMAMENTE COM A EDUCAÇÃO INCLUSIVA, COM PARCERIAS ONDE ELAS PODEM SER ALCANÇADAS E TODA EQUIPE SEJA ELA QUAL FOR, QUE CUMPRA O SEU PAPEL.

  • TANIA LIMA MANCEBO
    15:24 - 07/11/2011

    "Quem ama cuida". E isto fica claro ao ler esta história de lutas, desafios e muitas conquistas. O amor que esta diretora demonstra por seus semelhantes é algo digno de reconhecimento. Uma atitude como a dela, que foi capaz de abrir mão de seu próprio conforto, a fim de buscar melhorias para a vida de outros merece ser louvada. Com certeza, ela merece estar onde está. Parabéns a diretora Iran e a todos aqueles que entenderam o sentido da palavra "valorização".

  • EDILMARA DE SOUZA MASSONI
    15:21 - 08/11/2011

    Ao estudar o caso da Clarisse Fecury observei o esforço da gestão e dos professores em tornar a escola inclusiva, com seus direitos amparados em lei fundamentada. A equipe abraçou a inclusão não somente como algo imposto mas pelo reconnhecimento que toda criança tem direito de acesso à educação de qualidade.

  • Maria Salete P. Gomes Martinez
    19:01 - 08/11/2011

    A escola é um local de renovação, de mudança e quebra de paradigmas. Iran teve coragem em colocar seu amor pelo diferente na frente de tudo o mais, batalhando incansavelmente pela inclusão "de verdade". Parabéns, pois, a ela e toda a equipe escolar pela sensibilidade no atendimento afetuoso aos alunos especiais.

  • Marina Corrêa Camargo Ribas dos Santos - Itaoca/ SP
    19:53 - 08/11/2011

    Houve grande avanços, tranformações na educação de modo geral, liderança, gestão pedagógicas e administrativas; devagar vem acontecendo investimentos e diante disso refiro-me a educação Inclusiva, ainda com muitos entraves: profissionais sem formação, ambientes inadequados e preconceitos em algumas famílias. A legislação diz que toda a criança tem a garantia de acesso a escola regular, mas será que aplica-se isso com facilidade? Como exemplo temos o caso em questão, mobilizou-se a comunidade, poder público para conseguir dar atendimento educacional especializado implantando a Educação Inclusiva.

  • Janaina Aparecida Rodrigues Garcez
    21:33 - 08/11/2011

    É lindo ver a dedicação e o amor da diretora por esta escola, que com certeza serve de modelo para muitas outras intituições. Ela conseguiu fazer alunos, pais, funcionários e a comunidade a respeitar esses alunos incluso. E esta mãe com certeza é uma batalhadora porque apesar das dificuldades ela luta pelo melhor para seu filho.

  • Maria Lúcia Dias Batista de Oliveira
    09:02 - 09/11/2011

    Iran diretora da escola Clarisse Fecury possui valores primordiais a uma gestão, são eles: Respeito, Aceitação e Mobilização, ou seja, procura fazer o melhor em prol de seus alunos, valorizando, oferecendo condições dignas e buscando meios de realizar todas essas ações. Não esperou as coisas acontecerem, foi a luta.

  • Elisete Mendes de Almeida Melo
    13:08 - 09/11/2011

    Ao receber alunos com deficiência, a diretora junto a equipe começou a pensar nas mudanças estruturais e pedagógicas da escola visando o seu bem estar e respeitando sua singularidade, consciente de que foi através da equipe que desenvolveram um trabalho hoje reconhecido. Não só a escola, mas toda a equipe docente e discente estão de parabéns.

  • Márcia Barbosa dos Santos
    13:18 - 09/11/2011

    A diretora foi de muito pulso, pois se empenhou não só incluir mas de se envolver de modo geral, dando atenção, buscando parcerias, não desanimando ante as dificuldades conquistando autonomia, respeito e valorização. Atentou não só com o aluno incluído mas também aos que apresentavam dificuldades de aprendizagem e baixo rendimento, pois precisam de um olhar diferenciado tanto quanto. Através de seu esforço, dedicação formou uma equipe educacional verdadeiramente comprometida com a inclusão.

  • CLEUSANE DOS SANTOS ROSA
    16:10 - 09/11/2011

    A disposição para mudanças e a aceitação do diferente, é a motivação para que toda a gestão escolar e a família assumam um compromisso de respeito e qualidade nesse novo modelo de ensino. Iran faz a diferença e dá resultados.Parabéns!

  • Janaina Aparecida Rodrigues Garcez - Apiaí/SP
    18:13 - 12/11/2011

    A direção da escola Clarice Fecury se preocupou em buscar conhecimentos para atender melhor a inclusão. Com amor, dedicação, respeito e mobilização a diretora conseguiu fazer de sua escola um exemplo.

  • Jeane Tenorio de Araujo - SSParaiso/MG
    20:19 - 23/05/2012

    Adorei ler este relato, sou professora de AEE e sinto o quanto precisamos aprender. Quando o gestor veste a camisa acreditando que é capaz, as coisas acontecem. A inclusão não pode ser apenas um cumprimento da Lei, precisamos acreditar que estas crianças são capazes, precisamos de formação e de parceria, sozinhos somos fracos. Parabéns à toda equipe.

  • Margareth Caetano Pereira - Uberlândia/MG
    09:23 - 10/07/2012

    Adorei saber um pouco sobre esta escola. Parabéns a essa diretora e a sua equipe. É preciso investir sim, na formação do professor. Somente através dos estudos é que vamos conseguir ensinar novas possibilidades à pessoas com deficiências. Com criatividade e o envolvimento da equipe, podemos facilitar a inclusão de todos.

  • Celiane Neri Matias da Silva
    17:48 - 22/08/2012

    Eu, Celiane Neri, gestora da Escola Municipal do Ensino Infantil Fundamental Maria Luiza de Aquino, há 15 anos, durante este período deparei-me com diversas situações de crianças com necessidades especiais. Desde então, me sensibilizei pela causa mesmo sendo leiga no termo acessibilidade, busquei adaptar a Escola para atender a clientela.

  • Sheila Maria Rodrigues Taveira
    11:11 - 06/10/2012

    Eu, Sheila Maria, secretaria da Escola Estadual de Ensino Fundamental Senador Adalberto Sena, há 03 anos, durante este período deparei-me com muita situações de crianças com necesidades especiais. Desde do então estou me atualizando para melhorar cada vez mas o atendimento da clientela da escola, ainda mas estou estudando para garantir este atendimento no que for necessário para a escola.

  • Jéssica Regina
    22:55 - 03/11/2012

    Que lindo o empenho desta mulher e que exemplo de projeto. Se todas as diretoras das escolas fossem assim, a educação no Brasil seria muito diferente. Parabéns a todos participantes do projeto e parabéns ao Instituto RM por disponibilizar estes estudos.

  • Márcia Loguercio
    15:58 - 15/05/2013

    Com certeza este é um modelo de escola que deve ser perseguido por todas as demais. Uma equipe diretiva comprometida com um projeto político pedagógico inclusivo, que não espera acontecer, senão vai em busca investindo na formação de seus professores e buscando transformar o necessário para que a educação seja realmente para todos. Minha escola em Porto Alegre segue este caminho, precisamos fazer contato.

  • Adriana
    20:31 - 29/04/2014

    Excelente!

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