Ana Paula Blotta Ruggiero

A dança é uma arte milenar que faz parte das culturas humanas, constituindo-se uma expressão considerada como linguagem que permite a transmissão de sentimentos e emoções da afetividade vividas nas esferas da religiosidade, do trabalho, dos costumes, dos hábitos, entre outros.

Foi na perspectiva de criar oportunidades para que os estudantes (especialmente os surdos) entrassem em contato com as mais variadas formas de dança que se justifica este relato, sobre o desenvolvimento de uma metodologia que atendesse à diversidade da escola inclusiva, oferecendo a todos os corpos o direito ao conhecimento cultural e artístico. Esse processo teve, em seu momento inicial, a contribuição de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e professores de apoio à inclusão.

A dança na escola é um processo de construção do conhecimento que possibilita o trabalho criativo do corpo, a discussão de valores e a formação do pensamento crítico, ampliando a visão de mundo do educando. A proposta não se restringiu ao aprendizado de passos ou à cópia de paradigmas estereotipados. Pelo contrário, ela apresenta um sentido mais amplo, no qual todos possam dançar de forma inteligente, expressiva e participativa.

Então, reuni várias imagens de dança para estimular o pensamento criativo individual e grupal, pedindo aos estudantes que criassem movimentos próprios usando as imagens como referência. A partir daí, o ensino da dança foi facilitado. Essa metodologia trouxe a possibilidade de um diálogo entre a leitura de imagens e a criação de movimentos, fazendo uma interlocução entre arte visual e dança. 

A leitura de imagens possibilita ao aluno refletir e remeter-se a outras informações, articulando a imagem criada e o que foi vivido por ele, ressignificando essas informações por meio de movimentos próprios. Com essa didática, senti a valorização da individualidade e criatividade da criança e os estudantes puderam ampliar seu repertório de movimentos. Outros pontos positivos foram;

– Compreensão da imagem como texto não verbal que fala por si só;

– Despertar de uma maior motivação por meio da construção de uma narrativa com imagens do próprio contexto dos estudantes;

– Possibilitou a problematização e reflexão acerca do excesso de informações visuais a que essa geração é submetida;

– Leitura de mundo dos surdos

O princípio básico da metodologia desenvolvida, que associa imagem e movimento, é que esta respeita as condições e a natureza da construção do conhecimento estético, e a leitura de imagens é um elemento significativo para a vida dos estudantes.

ANA PAULA BLOTTA RUGGIERO, PROFESSORA DE DANÇA

Participante do Prêmio Educador Nota 10 da Fundação Victor Civita

 

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