Mapa mundi interativo promove protagonismo e aprendizado significativo

Educadores desenvolvem material pedagógico acessível para eliminar barreiras ao aprendizado de conteúdos com elevada exigência de abstração

O projeto de construção de material pedagógico acessível Mapa Mundi Interativo foi desenvolvido por educadores e estudantes do 8º ano da EMEF Profª Marina Melander Coutinho, na cidade de São Paulo. A turma é composta por estudantes com diferentes dificuldades de aprendizagem e com deficiência intelectual, que ainda não atingiram a proficiência na leitura e escrita.

Considerando que a turma era muito criativa e participativa, foi proposto aos estudantes que pensassem em soluções para a eliminação de barreiras ao aprendizado de conteúdos que exigem elevado nível de abstração.

As alunas e os alunos ficaram muito empolgados e, após discussão, elegeram o componente curricular de Geografia. Eles estavam estudando conteúdos que exigiam bom conhecimento da localização dos continentes, da cultura e história dos povos ao longo dos tempos.

Cinco estudantes concentrados sentados em cadeiras em sala de aula Fim da descrição

Durante a tempestade de ideias, ficou claro que eles gostaram da possibilidade de ter um mapa ou globo terrestre que contivesse informações gravadas. Isso beneficiaria muito os estudantes com dificuldades na leitura e escrita, já que, além de visualizarem as localidades, poderiam ouvir os conteúdos em áudio.

O objetivo do processo com a turma foi contemplar os diversos estilos de aprendizagem, com variadas abordagens sobre o assunto, passando por seleção de conteúdo, pesquisa, síntese e utilização do material, aliando diferentes componentes da tecnologia.

+ Aprenda a fazer o Mapa Mundi Interativo

Aprimoramento da construção do material

A primeira versão do Mapa Mundi Interativo foi feita com o mapa cortado a laser. Não gostamos do resultado, pois a proporção e o tamanho não ficaram da maneira que havíamos imaginado. Resolvemos então utilizar um planisfério pronto e grande, que colamos sobre uma placa de MDF, com altura ajustada na parte inferior para abrigar a parte eletrônica do material.

Pessoa aponta com o dedo indicador botão localizado em região continental do Mapa mundi interativo. Fim da descrição,

Definimos botões de áudio para continentes, mares, oceanos e meridianos. Quando o dispositivo é acionado, fornece informações sobre a região terrestre selecionada. É uma tecnologia muito versátil, pois as informações armazenadas em cartão de memória podem ser substituídas e utilizadas de forma multidisciplinar.

Currículo como base para o planejamento da utilização

Tendo o currículo da cidade de São Paulo como um norte nas questões da educação inclusiva e no trabalho com os eixos estruturantes que organizam os objetos de conhecimento de cada componente curricular, pensamos na criação de um material que pudesse ser utilizado por várias disciplinas. O trabalho articulado dos componentes curriculares permite que os estudantes tenham uma visão mais ampla e integradora.

+ Veja como o Mapa Mundi Interativo se articula com a Base Nacional Comum Curricular

Utilização em sala de aula com estudantes

As disciplinas envolvidas no projeto foram: Geografia, Arte, História e Informática. Os objetivos gerais, levando em conta as disciplinas envolvidas, foram:

  1. Desenvolver nos estudantes uma visão humanista, superando a visão positivista de neutralidade diante da cultura global;
  2. Conscientizar os estudantes de que são responsáveis pelas paisagens e territórios onde vivem, entendendo os dilemas socio-ambientais do mundo contemporâneo;
  3. Estimular o conhecimento da cultura no território, das identidades multifacetadas e da diversidade no planeta;
  4. Desenvolver uma visão de complexidade por meio da espacialidade, territorialidade e temporalidade dos fenômenos geográficos;
  5. Desenvolver autonomia e criatividade.

Importante destacar que o protagonismo e o envolvimento dos alunos tanto na confecção como na utilização do Mapa em sala de aula proporcionou um aprendizado muito mais significativo para todos. O grupo do 8º ano inclusive esteve no FabLab do território da Capela do Socorro a fim de ampliar seus conhecimentos sobre o movimento maker, suas tecnologias e possibilidades. Os estudantes pensaram até mesmo em criar outros materiais pedagógicos acessíveis para serem utilizados nos anos iniciais da escola.

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