Solange Mari Sens

UNIR O ÚTIL AO AGRADÁVEL, um pacto com a Educação Física.

Por Solange Mari Sens

 

O ser humano e sua capacidade criativa fez de seu desenvolvimento algo notável. Evoluímos como espécie, nossos cérebros e nossos corpos se tornaram eficientes e dominantes nos alicerces da cadeia evolutiva. Esse desenvolvimento nos trouxe uma gama de necessidades e facilidades. Criamos objetos para suprimir estas necessidades e permitimos que nossos corpos participassem dessas facilidades. Dessa forma, manter-se saudável física e mentalmente tornou-se uma possibilidade. Chegamos então na escola. A escola oferece a aula de Educação Física, o profissional, mas nem sempre apresenta espaço necessário ou então, não possui material complementar para as aulas oferecidas. Em contrapartida, o nosso corpo apresenta o que temos de mais importante para o aprendizado motor, “o cérebro no comando, os músculos trabalhando e possibilidades de atividades resultando nas ações”. Então, se tivermos material para complementar as aulas, maior será a riqueza para nosso engrama motor. 

Para professores que entendem a importância da complementação que um material didático/pedagógico alternativo oferece, fica fácil identificar nos muitos objetos que compõem o nosso dia a dia, uma riqueza a ser aproveitada. Nas empresas, lojas, fábricas, em casa, temos muitos objetos que se tornam obsoletos e dispensáveis, depois de utilizados. Observamos uma grande quantidade de material sendo inutilizado e destruído, mas muitas vezes, apenas desperdiçado. Como exemplo: potes, malas, frascos, meias, restos de papel e papelão, cabos de vassouras, tampas plásticas, pedaços de tecidos. Estes materiais possuem vários tamanhos e cores, formas e pesos. O que fazer com o que é descartado? Nossa cultura tem como minimizar tudo isso? Devemos reaproveitar estes materiais, de forma a “unir o que nos pode ser útil ao agradável momento de jogos e brincadeiras”. 

Descobri que a melhor coisa que me aconteceu foi ter encontrado escolas que não tinham nenhum material e nem espaço suficiente para realizar meu trabalho. Aprendi que o pouco pode tornar-se muito, se eu tiver criatividade e um ideal. Acredito que a necessidade gera criatividade e ambas geram produtividade, portanto o lema tornou-se “unir o útil ao agradável”, ou seja, “enriquecer as aulas de Educação Física através da incorporação dos recicláveis, possibilitando a transformação dos alunos em cidadãos conscientes num mundo globalizado, com desejo de intervir na evolução da própria qualidade de vida, de forma crítica, mas criativa, atuante, mas eficaz, mediadora, mas eficiente”. 

A escola pública na qual estou inserida possui um bom espaço, mas sofre com a falta de material didático pedagógico para esta disciplina. Tendo este tema a desenvolver, tornou-se necessário verificar com os alunos das turmas do quinto ano, quais os seus desejos, suas necessidades e quais os conhecimentos que apresentavam sobre a disciplina. Foi questionado: O que conhecem da Educação Física; O que querem da Educação Física; Como enriquecer as aulas de Educação Física. Após os questionamentos observei que alguns conceitos já estavam previamente incorporados nos educandos. Sabiam que as brincadeiras são importantes e que através delas é possível se divertir, aprender e se tornar uma pessoa saudável. 

O profissional da área de Educação Física, não pode permitir que tais desejos, habilidades, atitudes e conceitos percam-se por falta de sequência, então assumo este tema acreditando que ele se tornaria um grande projeto de vida. Mantê-lo como sequência didática, torna-se imprescindível na construção de fatores que auxiliam a aprendizagem. Participaram do projeto, alunos com TDAH, síndrome de Down, deficiência intelectual, auditiva e física e demais alunos.

 

Participante do Prêmio Educador Nota 10 – 2013

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